\\Sobre o Accio Past//

Salazar Slytherin, Godric Gryffindor, Helga Hufflepuff e Rowena Ravenclaw tiveram a belíssima idéia de criar a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts em meados do século X. E nisso se baseia esse site, nas sete primeiras turmas dessa escola da Grã-Bretanha. Por favor, sinta-se à vontade para desfrutar das histórias de cada um dos alunos dos "Quatro Grandes".

\\Informação Importante//

O site Accio Past é de nível PG-13, com conteúdo de leve violência, e outras insinuações. Se você é facilmente influenciado por este tipo de informação, por favor retire-se.


\\Correios Coruja//

acciopast@gmail.com

past@acciocerebro.com.br

\\Integrantes//

Grifinória



Nome:Senhor Charles Trocken, mas muitos o chamam apenas de Charlie
Idade: Dezesseis anos
Ano Escolar: Quinto
Família: Grifinória
Animal de Estimação: Norwick, um cavalo alado da raça etoniana.
Varinha: Cedro, cerda de coração de Verde-Galês, 27 centímetros, flexível. Ótima para azarações ofensivas.
Gostos: Duelos, cavalaria, magia, pesca.
Desgostos: As paredes geladas do castelo, o pai.
Descrição: Um garoto baixo, até mesmo para a época, quando a estatura média era menor que 1,50m. Olhos de cores diferentes e miopia em ambos. Seu corpo é atlético devido aos duelos e competições eqüinas. Personalidade tranquila e romântica, obviamente sexista. Se culpa por ter falhado em matar o pai.
Histórico: Quando o menino nasceu, sua filha nobre o excluiu e desertou, o abandonando na floresta. Sua mãe o acompanhou, e o pai relutantemente também. Quando Charles era pequeno, viu o pai violentando sua mãe, e então o esfaqueou o tanto quanto pôde. Porém ele sobrevieu, e Charles e sua mãe se mudaram para outro feudo e recomeçaram suas vidas. Charles então foi convocado por Godric Gryffindor, dizendo ser um padre, à Hogwarts, suposto convento, onde aprendeu a ler e escrever. Não querendo abandonar a mãe, a trouxe consigo ao feudo dos Quatro Grandes.



Nome: Sir Jake de Malvoisin, o Vesgo
Idade: Dezesseis anos
Ano Escolar: Quinto
Família: Grifinória
Animal de Estimação: Línio, um cavalo alado da raça etoniana.
Varinha: 18 centímetros, pêlo de unicórnio (que eu mesmo fui atrás!), visco. Brilhante, bonita, e faz umas coisinhas lindas quando eu balanço ela de um jeito certo.
Gostos: Vinho quente de inverno, corpo quente de uma garota.
Desgostos: Mormaço, tédio.
Descrição: Baixinho, pálido, de olhos negros e cabelos castanho escuríssimo. É ligeiramente estrábico, o que lhe dá o apelido de Jake, o Vesgo entre seus amigos.. Jake é o típico irresponsável e inconseqüente que deveria estar numa cruzada louca em algum lugar distante. Em vez disso, está em Hogwarts estudando magia. Apesar de ser meio estrábico, consegue atirar com Arco e Flecha melhor do que muitos ali. É galanteador, e não se importaria em levar qualquer garota para um cantinho escuro. É corajoso (leia-se, LOUCO E ATIRADO), e tem um senso de justiça relativamente grande.
Histórico: Jake de Malvoisin é o terceiro filho da família bruxa mais influente de York. Malvoisin é normando, e já que seu irmão mais velho herdará o feudo e seu outro irmão entrou para cavalaria, a ele restou a vida eclesiástica - a qual, apesar dele se esforçar para gostar, ele não leva o menor jeito.


Nome: Lady Hildegard Atwood
Idade: Dezesseis anos
Ano Escolar: Quinto
Família: Grifinória
Animal de Estimação: Possui um hipogrifo na casa de seu futuro sogro e tutor, mas trouxe para a escola uma pequeno corvo de olhos castanhos chamado Matt.
Varinha: Carvalho, 20 cm, cujo cerne é uma mistura exótica de fio de cabelo de banshee com crina de unicórnio, herdada da falecida mãe. Excelente para feitiços de defesa e ataque.
Gostos: Sentir o vento nos cabelos em uma noite enluarada. Trabalhos manuais em geral, em especial o bordar de tapeçarias. Tem verdadeiro apreço pelas artes, em especial livros, música e trovas cantadas por menestréis de talento. Em termos de feitiçaria, possui especial dedicação às artes dos feitiços e da transfiguração.
Desgostos: Como uma boa dama da nobreza, Hildegard guarda seus desgostos para si própria, mas, por seu espírito altivo e independente, Hilde muitas vezes se sente indignada pela submissão a que ela e todas as mulheres da época são submetidas. Resigna-se com o fato por gratidão aos futuros sogros e tutores.
Descrição: Morena, de longos cabelos cor da noite e olhos muito azuis, acostumou-se desde criança a guardar seus sentimentos para si como se espera de uma dama da alta nobreza. Mas por trás desse aparente recato e frieza, encontra-se uma jovem altiva e corajosa, que guarda um forte desejo de liberdade e paixão dentro de si. Contudo, coloca sua honra e seus deveres em primeiro lugar.
Histórico: Filha de nobres bruxos, Hilde teve os pais assassinados misteriosamente quando tinha 8 anos de idade. Estando seu irmão mais velho, William, está nas Cruzadas Bruxas, em um cerco contra o grã-vizir Iznogud, a criação de Hilde passa a ser responsabilidade da família Blackwell, para cujo filho mais velho. Arcturus, ela foi prometida em casamento desde criança. Tendo sido, também Arcturus despachado para as Cruzadas, Hilde é enviada para Hogwarts, juntamente com seu cunhado, Altair, para completar a sua formação como feiticeira.


Corvinal


Nome: Lady Hellen de Tirania
Idade: Dezesseis anos
Ano Escolar: Quinto
Família: Corvinal
Animal de Estimação: Não tem. Uma mulher não deveria perder tempo com essas bobagens.
Varinha: Pinheiro, folha da bíblia queimada, rígida, 15 centímetros. Não faz muitas coisas.
Gostos: Rezar, estudar, corrigir, e utilizar magia para coisas puras.
Desgostos: Damas rebeldes, coisas que vão fora do comum.
Descrição: De estatura baixa, Hellen tem cabelos castanhos e quase sempre presos de diversas maneiras. Os olhos são cor de mel e provavelmente a parte mais vívida de sua personalidade. É calada e respeitosa aos homens e mulheres mais velhas, porém trata terrivelmente mais novos, e mulheres rebeldes.
Histórico: Hellen de Tirania é filha de dois nobres bruxos, que foi educada em casa até alguns anos atrás. Como qualquer outra bruxa que vivesse antes de Hogwarts, Hellen deveria aprender em casa magia, apenas o suficiente para poções e poucos feitiços, por quem devia lidar com isso eram os homens. Mas a notícia da escola afetou positivamente o pai da garota, Sir Gordon de Tirania, e ela foi admitida na escola sob o tutorado de Lady Ravenclaw. O pai morreu há algum tempo, e os dois irmãos estão agora nas cruzadas bruxas, sobrando portanto ela e a mãe, demasiada doente, para cuidar do feudo. Já está prometida em casamento para Ercles de Forgras, um jovem que anseia virar brevemente o Duque de Tirania.


Sonserina

Nome: Lady Lavínia Hougan Caldwell
Idade: Quinze anos
Ano Escolar: Quinto
Família: Sonserina
Animal de Estimação: Uma águia chamada Akira. Muito bem treinada ela pode inclusive entregar cartas.
Varinha: 23 cm, Mogno, contêm uma cerda de testrálio juntamente com uma pena de águia e duas gotas de sangue de unicórnio. É excelente para sortilégios complexos.
Gostos: Ler, preparar poções, passear.
Desgostos: Cavalaria, depois que caiu do cavalo, com 5 anos, ficou com trauma.
Descrição: Ela é alta e tem cabelos castanhos-dourados. Os olhos espantosamente verdes conseguem esconder bem as emoções dela. É bonita e tem o corpo esbelto até mesmo em baixo dos vestidos longos. É vitima de cortejos de vários rapazes. Lavínia é bem introvertida. Ela prefere ouvir a falar e raramente é vista em clubes, que não sejam de poções, sua matéria predileta. Adora criar novas poções e fazer testes. Tem um porte altivo e é uma exímia dueladora, apesar de o evitar fazer ao máximo. Tem problema com aritmancia, uma vez que não é boa com números, salvo a quantidade exata de ingredientes que se coloca numa poção. Quando está com os amigos pode se tornar bem humorada e divertida. Apesar de parecer sempre séria tem uma tendência a desobedecer a regras.
Histórico: Lavínia nasceu envolvida por mágica, e como não pudesse ser diferente deu sinais de magia aparente aos 3 anos quando fez alguns livros, que estavam na última prateleira do escritório, levitarem até ela. Até os seus onze anos recebeu educação em casa com o pai e alguma ajuda da mãe. Completados os 11 anos, no entanto recebeu a visita de Rowena Ravenclaw para ir à Hogwarts, escola onde vem estudando desde então.


Nome: Sir Matthew de Aldearan
Idade: Vinte e cinco anos
Ano Escolar: Não estuda no colégio.
Família: Não tem uma. É professor de duelos junto a Norman Huckle. Colocado na Sonserina, por sua boa relação com Salazar Slytherin.


Lufa-Lufa


Nome: Senhorita Mira Barlow
Idade: Quinze anos
Ano Escolar: Quinto
Família: Lufa-Lufa
Animal de Estimação: Um cavalo branco chamada Scadufax.
Varinha: Carvalho, pena de pégasus, 25 centímetros.
Gostos: Cavalgar, andar na floresta sentindo a natureza e cozinhar, sou uma cozinheira de mão cheia.
Desgostos: Cela lateral feminina para cavalos e Salazar Slytherin, tenho medo dele.
Descrição: Longos cabelos ruivos e olhos negros como onix. Discreta com a aparência e sobre a própria vida, não gosta que perguntem detalhes de sua família. Poucos sabem sobre seus pais, pois o casamento entre trouxa e bruxa não são bem vistos no mundo mágico. Não gosta, nem deixa, ser tratada como inferior por ser mulher.
Histórico: Mira foi criada em Hogsmead e sabia da existência da Escola de Magia de Hogswarts que tinha sido criada nas redondezas. Quando tinha 9 anos, ela foi andando através da floresta para poder ver de perto Hogwarts e se conseguisse alguma das aulas. Quando estava chegando perto da porta, foi flagrada por Salazar Slytherin que a mandou voltar para sua casa, assustando-a dizendo que se voltasse lá sem convite ela seria comida da cobra dele. O tio de Mira foi reclamar com os outros professores sobre o que aconteceu e Godric Gryffindor pediu desculpas e afirmou que no ano seguinte sua sobrinha seria convidada e depois seria sua filha.


Nome: Senhor Naheen Aziz Al-Merhej
Idade: Quinze anos
Ano Escolar: Quinto
Família: Lufa-Lufa
Animal de Estimação: Um cavalo árabe chamado Touffi.
Varinha: Azevinho, 23cm, dente de Esfinge.
Gostos: Carneiro Assado com hortelã, Astronomia, Filosofia.
Desgostos: Duelos (Péssimo com varinha), usar turbante.
Descrição: Estatura mediana, magro, pele morena, cabelo curto preto, olhos grandes e castanhos, lábios grossos, dentes muito brancos, nariz grande, mãos bonitas. É muito peludo para a idade e se barbeia todos os dias. Veste-se como um jovem europeu de classe alta e detesta usar turbante, mas tem que fazê-lo quando em família.
Histórico: Nascido em uma aldeia em Al-Andalus (Hispânia muçulmana), Naheen ficou órfão cedo e foi viver na casa de seu tio, o poeta Shiraz, em Córdova. Lá, ainda menino, entrou em contato com Maslama e seus discípulos, astrônomos famosos que estudavam as obras do grego Ptolomeu. A convocação para Hogwarts deixou o garoto surpreso, e mais ainda ele ficou quando seu mestre e seu tio concordaram com sua ida para a escola de bruxos. Naheen a freqüenta com grande proveito, mas deve se ater a três promessas: usar o que aprender para a glória de Allah e do Islã, seguir os preceitos do Corão e manter de pé o noivado com sua prima, Amina, a quem deverá desposar quando voltar a Al-Andalus.

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Sunday, March 19, 2006
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Competição revigorante.



Charlie andava tranquilamente pelos corredores do castelo, ele descia para o estábulo onde James Goldeneye, o cocheiro o aguardava. Charles confiava em James, ele era quase tão novo quanto ele, mas assim como o grifinório adorava os animais. Porém algo fofo e macio o impediu de prosseguir, eram as várias saias seguidas da lufa-lufana Mira Barlow, que seguia pelo corredor em direção contrária.

- Desculpe. - Ela disse numa reverência forçada, como odiava realizar esses exageros. - Senhor... Me desculpe, novamente, senhor, mas desconheço seu nome.

- Charles Trocken.

- Desculpe senhor Charles. - Porém o garoto se abaixou, fazendo suas vestes de cavalaria roçarem por cima do calcanhar e ajudou a moça a guardar os pertences.

- Não é necessária toda essa pompa de "Senhor". Me chame apenas de Charlie, senhorita...?

- Barlow, Mira Barlow. Prazer. Não queria ter te interrompido, só estava a caminho do estábulo. Não quero atrapalhar-te.

- Nenhum incomodo... Estava divagando, de qualquer forma, precisava de um impulso para voltar à realidade. - E ele sorriu forçado, sua piada tinha sido horrível e ainda assim a menina sorria calorosamente.

- Cavalga também? Se desejar companhia e eu não for atrapalhar-te, será bom ter companhia.

- Oh, adoraria. Na verdade, eu ia treinar para a competição, correr mesmo. Mas posso abrir uma excessão e apenas sair para dar uma volta. O tempo está agradável.

Mira sorriu, provavelmente ele achou que estava indo para o estábulo a passeio.

- Se quiser podemos correr, também irei competir. Podemos assim dar uma boa canseira aos nossos cavalos.

Ele se sentiu surpreso, tanto que quase deixou os pertences da moça, que segurava, cairem no chão. Como pode tão grande contraste? É tão obediente e submissa, porém corre com cavalos.

- Claro, por que não?

Os dois desceram até o estábulo e lá Mira andou em direção a sala onde ficavam guardadas as selas feminas. Acostumada a arrumar seu cavalo sozinha, ela não reparou que o rapaz ficou a observar enquanto encolhia magicamente seus pertences. O grifinório estava curioso em relação a garota a sua frente. Sentindo-se observada, Mira percebeu que deveria ter perguntado ao rapaz antes se precisava de algo. Virou-se para ele que continuava parado e andou em sua direção.

- Você deseja que eu o auxilie em algo?

- Não eu... Nada demais. Deixa que eu arrumo seu cavalo. Onde está?

Charlie pegou uma sela feminina e foi andando ao lado de Mira até ela parar mostrando Scadufax. Ele ficou impressionado com a beleza do corcel branco a sua frente. Não era um cavalo comum, podia sentir isso. Andou em direção ao cavalo para colocar a sela, mas foi segurado pela ruiva ao lado.

- Espera eu ir primeiro ou ele pode estranhar e te atacar.

Mira andou até seu cavalo e chamou Charlie logo depois. Enquanto colocava a sela, ele aproveitou para perguntar sobre o cavalo.

- Ele é diferente, não é? É mágico?

- Sinceramente eu não sei. Mas somente a mim obedece, não conheço uma pessoa que tenha conseguido montá-lo sem que eu deixasse.

- Estás brincando, certo? - Os olhos de Charlie brilharam ao ver um desafio a sua frente. - Alguma outra pessoa já andou nele?

- Meu tio desistiu na terceira vez que foi derrubado. - Mira sorriu ao lembrar da cena.

Achando que ainda era cedo para pedir para usar a montaria da garota, Charlie decidiu guardar sua idéia para mais tarde e foi até seu cavalo prepará-lo para montar. O grifinório não percebeu que perdera um pouco de tempo conversando com seu cavalo e deixara a lufana o esperando.
Ao sair do estábulo percebeu que Mira já estava montada e aguardava por ele, parada e quieta.
Antes de se unir a garota, Charles cumprimentou James Goldeneye com um aceno e fez pose por cima do cabelo.

- Ok, vamos até à pista? Ou já começaremos correndo até lá?

- O que preferir. - Os olhos de Mira brilhavam para correr, mas aguardava ele escolher.

- Nós podemos começar... - Ele contava mentalmente enquanto piscava para a menina indicando que começaria agora a corrida: 1...2...3... - Já! - E saiu em disparada, com uma pequena vantagem em relação à Scadufax.

Em momentos de competições, Mira esquecia sua criação e competia como igual. O objetivo era ganhar e se esforçaria para isso. Indo logo atrás de Charles, Scadufax aumentou a velocidade conforme sua dona inclinava o corpo lhe dando aerodinâmica. Para a surpresa do grifinório ele logo viu que a garota estava ao seu lado.

"Ok, ela é uma dama, bem bonitinha e educada, mas eu não posso me dar ao luxo de perder uma competição contra essa moça.", porém Scadufax já estava a sua frente e poucos metros os distanciavam do ponto de chegada. "Vamos, Norwick! Você vence esse cavalo com nome estranho!" E assim foi, por uma cabeça de diferença, Norwick e Charles venceram a competição até a pista.

- Foi um bom aquecimento. Você cavalga muito bem e seu cavalo é muito bom. Qual a raça? - Mira amaldiçoava silenciosamente a droga da sela feminina que era obrigada a usar. Sabia que se pudesse não usar sela alguma ganharia do rapaz.

- É um etoniano e corres muita bem, senhorita Mira. Aposto que ficará em segundo na competição.

- Segundo? - Mira tentou disfarçar sua vontade de rir ao ouvir aquilo do garoto. Homens eram tão pretensiosos. - Mais uma corrida aqui na pista? - Ela o faria engolir o que acabara de falar.

Ele sorriu charmoso.

-Só se for agora.

- Assim seja! Preparado? - Mira esperou ele emparelhar com o cavalo e reparou como ele sorria para ela. - !

Os dois pareciam não notar o vento ao redor, apenas a energia que rodeava o orgulho comum aos dois e a vontade de ganhar essa pequena competição que nada valia. Corriam quase lado a lado e Mira parecia ignorar a cela feminina.

- Aha! - Ela não agüentou e comemorou. - Por um nariz! O senhor corre bem, Charles.

Ele sorriu forçado e riu do mesmo jeito.

- Assim é a vida, senhorita.

- Será um grande prazer competir com o senhor no torneio e agradeço o aquecimento, vejo que preciso praticar mais. - A lufana sabia que tinha atingido o ego do rapaz e quis amenizar a situação. - Andemos agora pelo prazer de ver a paisagem?

- Proposta irrecusável! - E dali os dois retornaram ao estábulo a galopes lentos, conversando.


Declarado, dito e feito por Charles Trocken
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Thursday, March 16, 2006
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Hildegard Atwood, sentada sob a agradável sombra de uma faia próxima ao lago cristalino que banhava os terrenos da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, bordava com delicadeza ímpar uma capa de viagem. Para quem observasse à distância a jovem morena de belos olhos azuis, julgaria que ela estava acompanhada somente de seus próprios pensamentos, porém, se olhasse com mais atenção, perceberia que uma figura mexia-se nos galhos da árvore acima dela.

- Hilde, estou lhe dizendo, Lady Hostilia está com ânsias de assassinar-nos. Como ela pretende que respiremos se irá nos obrigar a usar aqueles corpetes?

Sob a faia, a grifinória riu, não desviando o olhar de seu bordado.

- Estás exagerando. E, por favor, desça dessa árvore, do contrário serei tida como louca se for vista falando sozinha.

Os galhos movimentaram-se mais uma vez e no outro instante uma garota saltou, pousando como um gato sobre o gramado, ao lado de Hildegard, e tirando os fios de cabelos que estavam encobrindo sua face.

- Pronto. Satisfeita agora, Lady Atwood?

Hilde riu serenamente, fitando o rosto de sua amiga de infância, Rosette Elric. Nem sabia contar ao certo há quantos anos conhecia a sonserina de olhos ambarinos, mas sabia que ela estivera presente na maior parte de sua vida. Seu falecido pai, Sir Henry Atwood, mantinha relações comerciais e amistosas entre o ducado de Áquila e o feudo de Lord Audrey Elric. E, mesmo após a morte do casal Atwood, o tutor e futuro sogro de Hilde, Abelard Blackwell, dera continuidade aos negócios, permitindo assim que as garotas mantivessem contato.

Rosette deitou-se na grama, apoiando a cabeça sobre os braços dobrados e fitando o céu através dos galhos da faia. Era um domingo agradável após a primeira semana de aulas.

- Sharp, irá sujar seu vestido se ficar deitada aí. - Hilde advertiu, chamando a amiga pelo apelido.

A sonserina apenas deu de ombros.

- Os criados podem lavá-lo depois. - ela então virou-se de lado, levantando o rosto e apoiando a bochecha em uma das mãos para fitar a outra moça - Mas você ainda não me contou como foi o seu recesso de veraneio... Teve muitos momentos românticos ao lado do seu noivo?

Hilde não se deu ao trabalho de desviar os olhos do bordado, assim não pôde ver o sorriso maroto no rosto de sua amiga, e simplesmente respondeu:

- Você sabe que o Arcturus está nas Cruzadas.

- Mas eu estou falando do Altair. - foi a réplica imediata de Rosette.

A grifinória desviou o rosto para a amiga com uma expressão de consternamento e surpresa. Ao ver o sorriso de provocação nos lábios da morena de cabelos lisos, Hilde corou levemente e, abaixando o rosto, ela disse:

- Altair é um bom moço, Rosette. Fomos criados como irmãos e assim devemos nos manter. E é assim que gosto. Além disso, você sabe que minhas obrigações são para com o meu futuro marido.

Rosette suspirou, sentando no gramado e movendo-se para mais perto da amiga. Apoiou as costas no largo tronco da faia, assim como fazia a moça de olhos azuis, e passou um braço sobre os ombros dela.

- Obrigações não trazem felicidade para ninguém, Hilde. Pare de exigir tanto de si mesma, você não tem que dar exemplo de perfeição o tempo todo.

Hildegard soltou a capa e a agulha que usava para fazer seu bordado e abraçou a sonserina.

- Nem todas temos a sorte que você tem, Sharp, de ter um pai que permite ser senhora de seu destino. Somos mulheres, nossos destinos são traçados por nossos senhores. Mas não chega a ser um fardo para mim. Faço isso por consideração aos meus sogros que me acolheram como filha, e por meus pais, honrando o compromisso que foi firmado por eles, antes de serem mortos.

A expressão no rosto de Rosette suavizou-se e ela afagou levemente os cabelos anelados da outra jovem.

- Não fale desse jeito, você sabe que não é bem assim... Meu pai apenas permite que eu pratique montaria e outras atividades masculinas para que eu concorde sem reclamar em posar de boa moça diante de quem ele quiser. Trata-se de uma troca equivalente... Lord Elric não é esse homem bondoso e compreensivo que você pinta, e sim apenas um brilhante estrategista.

O silêncio reinou entre elas por alguns segundos, ambas percebendo que eram igualmente subordinadas às decisões de seus senhores, apenas de formas um pouco diferentes...

- Agora pare com isso, Hilde. Sabe que eu não suporto quando você começa com esses sentimentalismos. - disse Rosette, quebrando o silêncio e separando-se daquele abraço.

Hildegard encarou o rosto da sonserina e não pôde evitar o riso.

- És verdadeiramente estranha, minha amiga. Por isso gosto tanto de ti.

Rosette arqueou as sobrancelhas, pensando para si que aquela resposta de Hilde sim é que era estranha. Então meneou a cabeça e deitou-se novamente.

- Às vezes penso que você deveria tomar juízo e se casar. Seu pai precisa de um herdeiro para continuar administrando o legado dele. - começou a grifinória, retomando seu bordado - Seria perfeito se você e o Altair ficassem juntos, isso sim. Ele é tão louco e inconseqüente quanto você. E seria ótimo se fossemos concunhadas. Seriamos uma única família.

Agora foi a vez da filha de Lord Elric arregalar seus olhos ambarinos em surpresa. Ela e Altair Blackwell, juntos? Aí estava algo em que jamais havia pensado antes. Rosette franziu a testa, formando em sua mente a imagem do futuro cunhado de Hilde.

- Talvez... Altair é um rapaz muito bem apessoado. Se o meu pai quisesse, eu acho que não me importaria em me casar com ele. - ela respondeu após alguns instantes de consideração - Mas creio que seja exatamente como a minha avó diz: homem algum estará disposto a continuar casado comigo depois que me conhecer melhor. - a sonserina terminou sua fala entre risos.

Hilde, esquecendo mais uma vez do bordado, aproximou-se da amiga para encarar o rosto deitado na grama.

- Já disse que Altair é louco como você, e creio que dois loucos se compreendem muito bem. - ela insistiu - A não ser que você tenha outro louco em mente...

Rosette fechou os olhos deu uma curta gargalhada, como alguém que ri diante da própria desgraça.

- Ah, Hilde, justamente por não ser um louco é que ele não quer nada comigo.

Diante dessa resposta a grifinória hesitou e mordeu levemente os lábios, reconhecendo que talvez tivesse ido um pouco longe demais em seu comentário.

- Desculpe-me se a conversa chegou a esse ponto. Não queria te deixar melancólica... Se preferir, podemos mudar de tópico. Que tal tratarmos das aulas de duelos que prometeu retomar assim que pudesse?

A outra moça abriu seus olhos cor de âmbar, tendo um sorriso sereno no rosto.

- Pare com essas besteiras, esse assunto não me deixa melancólica. Já lhe disse que é só algo à toa. Você é quem se preocupa demais, Hildegard. - ela então levantou o corpo do solo para ficar sentada - E quanto às aulas, achei que fosse desistir depois da última derrota vergonhosa que eu lhe submeti.

Hilde meneou a cabeça.

- Só desisto no dia em que me equiparar a você. Afinal, faço isso por necessidade. Não quero ser uma dama incapaz de se proteger como minha mãe foi um dia. Essa é a única "rebeldia" a que me permito e você sabe o quanto é importante para mim. - a grifinória abriu um pequeno sorriso - Bem, e devo admitir que a arte da peleja é deveras divertida, afinal de contas.

- Arte da peleja? Como és poética, minha cara amiga. Pois na batalha não há lugar para poesia. - disse Rosette, usando uma pontada de ironia.

A jovem Atwood sorriu de lado, com um brilho divertido nos olhos azuis, antes de responder:

- Se minha cara mestra assim o diz, então assim acatarei.

Após um suspiro resignado a sonserina levantou-se, limpando a poeira do vestido enquanto falava:

- Juro por Lord Slytherin que só continuarei com essas aulas porque realmente lhe estimo!

Seguindo o exemplo de Rosette, a outra moça também levantou-se, recolhendo a capa e seus instrumentos de bordado.

- E já sabe o quanto lhe sou grata por isso... Fica bom para você começarmos daqui umas duas semanas?

- Pode ser, mas depois combinamos o horário. - Rosette enlaçou o braço da amiga, fazendo-a começar a andar consigo na direção do castelo - Agora vamos, acho que ouvi o sino do almoço tocar e estou realmente faminta.

- É melhor maneirar, Sharp, ou Lady Hostilia terá que usar um corpete mais apertado em você. - a grifinória a provocou.

- Ora, fique quieta! Você é quem tem um noivo para o qual se embelezar.

E, entre risos descontraídos, as duas jovens traçaram seu caminho até o interior do salão principal de Hogwarts.


Escrito por Sharp e Hilde.


Declarado, dito e feito por Rosette L. Elric
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Friday, March 10, 2006
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O ar batendo em suas asas, o som do vento cortante, os campos verdes retalhados por fios d'água cristalinos, o sol rebrilhando na linha do horizonte, os sinos repicando, anunciando o início das aulas...

Sinos... Aulas... De muito longe, na mente acinzentada do falcão, ela percebeu que já era hora de voltar.

O falcão planou calmamente, voltando-se para a silhueta do castelo. Alguns garotos já estavam nos gramados, exercitando-se com seus cavalos. As vozes dos intrutores alteavam-se lá embaixo, trazidas pela brisa. O dia começava em Hogwarts.

Sem perder tempo em observar aquilo, ele subiu ao longo de uma das torres principais, penetrando pela janela aberta de um dormitório. O quarto estava quase vazio, exceto por uma garota que ainda ressonava tranqüilamente em sua cama. Os cabelos negros caíam em cachos, contrastando com os lençóis imaculadamente brancos.

Rashid - pois esse era o nome do falcão - pousou suavemente na cabeceira da jovem, fechando as garras ao redor do metal, fazendo ecoar um longo rangido. Um suspiro escapou dos lábios da garota. De repente, o mundo dela voltara a perder as cores e contornos. Estava tudo escuro...
Ela abriu os olhos devagar, olhos verdes e opacos, que há muito não enxergavam o mundo. Por alguns instantes, permaneceu deitada, tentando controlar a vontade de cravar as garras - que não mais possuía - em algo tenro e suave, muito provavelmente ainda vivo. Quando afinal seus instintos humanos se sobrepuseram às reações do Empréstimo, ela se sentou na cama.

- Rashid? - chamou com a voz fraca, estendendo a mão para onde se lembrava de ter pousado.

A ave respondeu com um gorgolejo rouco, abaixando a cabeça emplumada na direção dos dedos abertos da moça. Ela acariciou o falcão de leve, ao mesmo tempo em que procurava com as pontas dos pés as sandálias de pano.

- Lailah?

A morena se levantou ao ouvir a voz abafada de uma das colegas. Provavelmente, a porta estava fechada.

- Eu já levantei, Hilde, obrigada. - Lailah respondeu, começando a tatear as paredes ásperas de pedra.

Os passos de Hilde se afastaram e a morena sorriu carinhosamente, enquanto caminhava para o aposento contíguo, voltando a tatear até encontrar a bacia de porcelana onde poderia lavar o rosto. Apesar do sangue nobre, Hilde jamais destratara qualquer uma das colegas.

As duas tinham se aproximado pouco tempo depois da própria Lailah ter chegado a Hogwarts. A outra moça fora designada para ser sua tutora, afinal, uma pessoa cega não podia ser solta no meio de um castelo permeado por magia... Quem sabe em que dimensão ela não poderia se perder?

Ainda sorrindo, Lailah se vestiu. Cinco anos entre as paredes de Hogwarts, entretanto, tinham-na feito conhecer bem demais aquele lugar. Amava o castelo e amava sua vida ali dentro.
O falcão observou sua dona terminar de aprontar-se e seguir a passos firmes para a porta, desviando de todos os obstáculos em seu caminho. Ele voltaria a vê-la de noite. Rashid saudou Lailah com um som agudo, abrindo a asas e escapando pela janela para o céu azul.

- Até mais tarde, Rashid. - ela murmurou, também deixando o aposento

Escrito por Lailah


Declarado, dito e feito por artista
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Wednesday, March 08, 2006
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A Donzela de Áquila: Brumas do Passados



Os olhos azuis da garotinha refletiam na superfície dourada da jóia. Deitada na cama dos pais, a menina fitava, encantada, o colar de ouro que o pai dera para a mãe naquela manhã. Hildegard sabia que não deveria estar ali, mexendo nos pertences da mãe, mas não conseguia evitar. Lady Cordelia tinha coisas tão bonitas, e por mais que fechasse o cenho com as incursões constantes da menina em seus aposentos, a senhora do castelo dificilmente conseguia ficar verdadeiramente zangada com a filha caçula. Entretida em admirar o colar, Hilde mal percebeu a mãe entrar, exasperada, quarto adentro, fechando a pesada porta do recinto atrás de si.

-Graças ao piedoso Merlim, tu estás aqui, Hilde. - disse a senhora, uma bela morena de olhos castanhos, que apesar dos anos e de dois filhos, ainda conservava a beleza dos seus tempos de mocidade.

A dama correu para junto da menina, segurando pelos ombros.Uma expressão de pânico e urgência podia ser lida em cada uma das linhas de seu rosto.

- O que foi, mamãe? - perguntou a garotinha, visivelmente assustada com o transtorno da mãe.

-Não há tempo para explicações, querida, apenas faça o que eu disser - respondeu a senhora, tentando passar para a filha uma tranqüilidade que certamente não sentia.

-Mas... - a menina ainda tentou argüir.

-Nada de mas, Hildegard - cortou Lady Cordelia com severidade - Quero que se esconda debaixo da cama. E aconteça o que acontecer, não saia, nem grite. Você promete?

A menina de oitos anos apenas assentiu. Em um último momento, antes de empurrar a filha para debaixo da cama de casal, Cordelia abraçou Hildegard com força, sussurrando em seu ouvido:

-Lembre-se que papai e mamãe te amam e sempre vão te amar.

Mal a menina se viu protegida pela escuridão que reinava sob o leito dos pais, a porta do quarto explodiu em centenas de pedaços. O grito de sua mãe foi abafado pelo barulho da explosão. Hildegard conseguiu ver o pai levantar-se, com esforço, do chão. Seus braços e pernas tinham marcas profundas e rubras, das quais minavam filetes de sangue. Pareceu-lhe que havia três ou mais homens no aposento, além do duque e da duquesa de Áquila.

-Quem são vocês? O que querem? Como entraram aqui? - a voz rouca de Sir Henry fez-se ecoar pelo lugar.

Embora Hilde não pudesse ver, seu pai estava de pé, cambaleante, empunhando a espada contra os invasores.

-Isso não vem ao caso, milorde - respondeu o mais alto e forte dos homens, e supostamente seu líder. - A única coisa que precisas saber é que estás prestes a morrer.

Lady Cordelia apenas observava, em mudo estupor, enquanto seu marido avançava, ensandecido, contra os assassinos que violaram a paz de seu lar. Tudo o que Hilde podia ver debaixo da cama era o jogo de pernas advinda da luta, até que o corpo de seu pai caiu, pesado, no chão. Seus olhos outrora azuis e brilhantes como os da filha agora encaravam opacos e sem vida a garotinha escondida. Um líquido estranho e viscoso saia, em profusão, do enorme talho que fora aberto na garganta de Sir Henry. Hildegard tapou os lábios com ambas as mãos, impedindo-se de gritar, mas não conseguiu refrear as lágrimas mornas que escorriam pelo seu rosto.

-Agora, milady, vamos cuidar de vossa senhoria - disse o líder dos assassinos, voltando sua atenção para a senhora do castelo.

-Se afastem. Se afastem... - falou a duquesa, apontando a varinha em direção dos invasores.

Os três homens riram em visível desdém ante a pálida tentativa da mulher em se defender.

-O que vais fazer, milady? Consertar os rasgos de nossas vestes? Mulheres não sabem duelar, nem com espadas, tampouco com varinhas. Expelliarmus! - gritou o invasor, sacando a própria varinha da bainha mais curta que trazia atada á cintura.

A mulher foi arremessada violentamente sobre a cama. O líder dos assassinos aproximou-se com pesados passos em direção ao leito. Hildegard sentiu a cama curva-se ante o peso do homem.

­-Ès uma dama muito bela, milady, apesar de o viço da juventude começar a escapar de seu rosto. - falou o homem, enquanto beijava o alvo pescoço da duquesa, que não conseguiu refrear uma onda de asco a percorrer-lhe o corpo. - Seria deveras prazeroso aproveitar de vossos favores antes de mata-la, mas tens sorte de meu senhor ter pressa na finalização do serviço.

Cordelia nada respondeu, apenas encarou os olhos frios de seu assassino agradecendo aos céus por eles não terem encontrado a sua menininha. Não poderia salvar a criança que trazia dentro de suas entranhas, mas pelo menos Hilde escaparia ilesa. O homem ergueu sua espada no ar, fincando-a com força no ventre da mulher. Hilde fechou os olhos ao sentir o som da lâmina rente ao seu ouvido, fincado-se no chão. Mas continuou calada, prometera à mãe que não gritaria. A menina apenas abriu os olhos quando escutou novos passos vindos do lado de fora do aposento se aproximando. As botas negras pararam em frente ao líder dos matadores.

-Está feito, meu senhor, conforme ordenaste. - disse o assassino.

-Excelente! - uma voz fria e serena começou a se pronunciar. - E conforme o combinado, aqui está o pagamento.

Uma pesada sacola de moedas caiu no chão. O recém-chegado abaixou-se em reflexo para apanha-la. Hildegard segurou a respiração ante a proximidade do mandante da morte de seus pais. Ela notou que havia uma marca, um sinal, uma tatuagem talvez, na altura do punho do homem... Mas os olhos marejados embaçaram a figura, que se tornou indistinta e borrada. A menininha cerrou os olhos azuis, adormecendo em seguida, deixando, por fim, que a doce escuridão a livrasse de toda dor que sentia no momento.


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A moça levantou-se, ofegante, em sua cama de dossel. Inconscientemente passou a mão pelo rosto, temendo ver novamente o escarlate do sangue de sua mãe a tingir-lhe os dedos e a face, mas era apenas o seu suor. Ela não era mais a garotinha de oito anos escondida sob o leito dos pais. Era uma jovem donzela e estava em seus aposentos em Hogwarts. Hildegard levantou-se silenciosamente de sua cama. Suas companheiras de aposento ressonavam tranqüilas em suas camas, desfrutando o sono dos justos. Sono do qual ela não mais compartilhava. Não conseguiria mais dormir depois do sonho que tivera. Não era a recorrência da visão da morte dos pais que a incomodava. Reviver aquele momento era seu fardo até o dia em que tivesse meios de tranqüilizar as inquietas almas de seus pais no além-mundo. O que realmente incomodava a jovem dama era o fato de nunca conseguir ver com nitidez a marca na mão daquele que ordenara o massacre dos senhores do ducado de Áquila. Aquela marca era a chave de todo o mistério, não apenas para desvendar quem planejara o assassinato, mas, sobretudo, as vis razões que o motivaram. Não havia o que ela pudesse fazer agora, e Hildegard aprendera desde cedo que se lamentar não traria sossego para os tormentos de seu coração. Decidiu, portanto, levantar-se ao vislumbrar os primeiros raios de sol que cruzavam tímidos pelas frestas das janelas da torre. A moça trançou seus longos e negros cabelos, vestiu a túnica vermelha que separara na noite anterior para os trabalhos do dia, e, puxando o cesto de costuras que guardava sob o leito, desceu para a sala comunal. Poderia cerzir algumas roupas até chegar a hora das primeiras tarefas matinais em que todos os aprendizes eram submetidos diariamente pelos mestres feiticeiros do castelo. A passos suaves, quase felinos, a moça desceu as escadas, acomodando-se na cadeira de espaldar alto, próxima da lareira, na sala deserta.

Apesar de tudo, Hilde sentia-se feliz em Hogwarts. Ainda lembrava-se com nitidez do dia em que Lady Ravenclaw e Lord Gryffindor visitaram o feudo de seus tutores e futuros sogros, os Blackwell, que caridosamente acolheram Hildegard após a morte de seus pais e desaparecimento do irmão mais velho nas Cruzadas Bruxas contra o vizir Iznogud. Lady Constance Blackwell ficara em polvorosa ante a chegada de tão valorosos magos e mandara trazer para o banquete os melhores carneiros salgados que havia na despensa, e mandara também esquentar e colocar nas mais finas jarras que possuíam vinho e cerveja da melhor colheita que tiveram nos últimos dez anos. Hilde escondera-se, tímida, atrás de uma das pilastras do amplo salão de banquete do castelo. Lembrava-se de Altair, seu futuro cunhado, estar ao seu lado, também curioso sobre os assuntos dos quais os adultos tratavam.

-Sei que vosso filho mais velho já foi enviado para as Cruzadas, mas penses nisso como uma oportunidade para preparar melhor tanto vosso caçula quanto vossa protegida.- dizia Gryffindor com uma voz imponente e ressonante que muito se assemelhava ao rugido de um leão.

-Com todo o respeito, Sir Godric, mas não vejo como enviar Altair e Hildegard para sua "escola" vai realmente ajuda-los. Meu título e terras serão herdados por Arcturus, e resta ao meu caçula decidir seu destino como guerreiro ou estudioso,ou se vais desposar a filha de algum senhor e se tornar senhor das terras dela ou participar de justas e torneios pela imensidão de nossa ilha. Ele ainda é criança, e não vejo pressa em traçar seus passos futuros. Já à pequena Hilde, basta-lhe que apenas se torne uma boa e obediente esposa para Arcturus, quando este retornar, e isto minha senhora Constance já está a lhe ensinar. Além disso, o que realmente trará de bom para as minhas crianças conviver com mestiços, camponeses e bárbaros estrangeiros como soube que aceitam em vosso estabelecimento.

-Me perdoe a ousadia de tomar a palavra, Lord Blackwell - começou Lady Rowena - Há muito se foi o tempo em que os nascidos sem-magia e nós convivíamos pacificamente lado a lado. Somos poucos se comparados a eles. E tempos sombrios se descortinam diante de nós. Não apenas pelos incidentes que ocorrem nas terras dos djins, mas sobretudo porque o medo e a supertição toma conta dos corações dos trouxas. Se não nos unirmos, milorde, estaremos em perigo mais cedo ou mais tarde.

Para a garotinha de quase onze anos, aqueles dois nobres feiticeiros conversando com seu tutor pareciam-lhes gigantes, e ela tomou, para si, de coração, a primeira e talvez mais importante lição que Lady Rowena Ravenclaw lhe transmitira: eles não eram camponeses ou nobres, eram, antes de tudo, bruxos, e a magia os unia e os tornava iguais.

A morena foi tirada de seus devaneios pelo soar do sino do castelo, convocando todos os aprendizes para a primeira refeição do dia, que se seguiria dos afazeres e ensinamentos. Pousou a cesta de costura ao lado da cadeira. E, ajeitando as vestes com o devido esmero que se esperava de uma nobre donzela, dirigiu-se novamente para o dormitório. Precisava acordar Lailah antes de se dirigir para o salão principal.Começava assim, para Hildegard Atwood, mais um dia na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.


Declarado, dito e feito por artista
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Sunday, March 05, 2006
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Se por ti em pétalas me despedaço...



Charles apanhou sobre a estante um pergaminho em branco, um tinteiro preto de ferro e sua pena. Sentou-se levemente à escrivaninha, arrumou a cadeira revestida de veludo vermelho, ajeitando-a a uma melhor posição e puxou a única vela do quarto para si. A sala de cores quentes e enérgicas agora estava escura, com alguns pontos de luz, onde a chama da vela quisesse porventura iluminar. Pegou a pena, molhou-a na tinta escura e com ela tocou o pergaminho...

Se por ti, em pétalas me despedaço,
Por ti, hei de me reerguer.
Se outrora agi em descompasso,
Agora tudo há de equivaler.

Porém um risco cortou a folha quando Charlie ouviu um pequeno sussurro por trás da porta... Bobagem! Estava sozinho no quarto masculino de seu ano, na torre da Grifinória, e o salão comum da Família, abaixo alguns andares, não possuía acústica tão surpreendente para se fazer ouvir naquele ambiente. Amassou o tal pergaminho, o jogou em um balde ao seu lado e pegou outro sobre a estante. Grande idéia a da sra. Ariadne Nellian, afinal, possuíam dever o suficiente para ter um estoque de folhas de pergaminhos em seus devidos quartos. Sentou-se à escrivaninha novamente...

Se por ti, em pétalas me despedaço,
Por ti, hei de me reerguer.
Se outrora agi em descompasso,
Agora tudo há de equivaler
.

Tanto o bem malfeito,
E o mal que é imperfeito,
Ambos têm a mesma procedência,
Ambos vêm de tu, minha extrema beleza.

Charles pousou, então, a pena sobre a madeira fria. Tomou o pergaminho em mãos com brutalidade, em contraste com a delicadeza das letras, conseqüência dos apenas 4 anos que se passaram desde que aprendera a ler e escrever. Arranjando uma posição melhor em frente à vela, Charles leu e releu o seu texto e então finalizou com uma careta de desgosto, amassou o papel e o jogou no balde ao seu lado, para fazer companhia ao outro pergaminho amassado e rasgado. "É... Eu não levo jeito para essas coisas!", assoprou a vela, inundando a sala em breu total, deu de ombros e abriu a porta para descer ao salão comunal. "Como deseja fazer uma poesia de amor se não há ninguém em seu coração, Charlie Trocken? Ahn?".

_ Ah, por favor, Gween... só um beijinho, vai! - implorou um rapaz de olhos ligeiramente vesgos, aos pés de uma grifinória.

_ Ah, Jake... você não aprende mesmo! - disse a menina e virou as costas para ele.

Jake soltou um longo e afetado suspiro, colocando as mãos no peito, o que ocasionou risos de todos que assistiam a cena. "Qual é o problema dela?", se perguntou ele, pensando que não era exatamente feio para ser rejeitado daquele jeito. Deu uma olhada em volta e viu Charlie chegando ao salão, com uma cara péssima.

_ Me diz, que há com você, Charles Trocken?

_ É só o tempo. - sorriu um sorriso falso. - Aparenta que vai chover, não ouviu nem sequer um ?a? do que a mestra Dina Ravenclaw disse sobre as nebulosas?
Elas dizem tudo sobre a o futuro do tempo meu caro, Trocken, tudo. - Ele riu após imitar a professora de ar etéreo. - Mas vejo que a Gween não cedeu aos seus cretinos encantos, Vesgo. Não sabe que a dama não é qualquer uma que se agarra contigo pelos cantos? Aliás.. Não sei como tolera esse comportamento inadmissível de uma mulher.

_ Perdoar é divino, meu caro.... Divino! - assegurou Jake com uma voz falsamente eclesiástica - Eu tenho que treinar pra ser padre, lembra?

Charles deu uma risada alta, e olhou bem para Vesgo, que permanecia com a cara mais séria o possível.

_ Nosso senhor Jesus não perdoou Maria Madalena? - continuou ele com a ladainha.

_O quê? Vai sugerir que os que nunca pecaram joguem pedras agora também, Vesgo? - Charles ainda se divertia com a falsa vocação eclesiástica do amigo.

_ Ei, eu sou tão previsível assim, Charlie? - reclamou Vesgo colocando a mão na testa, como se preocupado.

Charles foi até a mesa onde alguns alunos irritados com seus deveres malfeitos haviam amassado suas folhas assim como o garoto com suas poesias, pegou algumas bolas de pergaminho e começou a atirar no amigo enquanto sentia o diafragma contrair e doer de tanto rir.

_Pois eu nunca pequei! ? declarou ele.

_ Nunca é, Charlie? Devo lembrar quando você conseguiu acertar a flecha de brinquedo na peruca do Reverendo Coston?! - relembrou rindo o rapaz, enquanto pegava bolinhas para revidar.

_Ah... - O garoto míope coçou a cabeça. - Você sabe que o que eu realmente queria acertar era o alvo... Mas a minha mira...

_ Éééééé, nós sabemos que sua mira é tão boa quanto a de uma toupeira, Charlie. - comentou Mary que se aproximava da dupla. - Eu ainda tenho a marca daquela flecha, LEMBRA?

_Er... Acho que sim. Mas por sorte de vocês, esse ano só me inscrevi no torneio de cavalaria e de esgrima! - "E minha também." Acrescentou em pensamentos.

_ Acho bom mesmo...eu me inscrevi em todos os torneios pra homens, e vou ganhar a maioria, com certeza. - falou o rapaz vesgo, estufando o peito.

_ Mas tem aquela menina, a Rosette. - lembrou Mary - Ela atira extremamente bem, você viu.

_ É verdade, mas ela não sabe como brincar com alvos móveis. Eu vou propor uma vara de salgueiro, a uma distância de 75 metros, como alvo. Quero vê-la acertar - vangloriou-se Jake.

_Não falem grego, por favor. Apesar de que pelo meu conhecimento... Uma vara de salgueiro é um alvo imóvel.

_ VENTO, meu caro Charles...VENTO! - falou o Vesgo balançando a cabeça. - Temos que levá-lo em consideração. E é por isso que todas as suas flechas só vão parar nos lugares mais inapropriados!

_ E é por ISSO. Que você deveria prestar atenção nas aulas da Mestra Dina! Nebulosas, meu caro Jake, elas influenciam o futuro do tempo. Assim você já saberia ontem, como vai ser o vento amanhã!

_ Eu não estou nem aí...eu sempre penso no vento antes de qualquer coisa.

_Bah, estou nem aí para os ventos, eu vou me retirar, com licença... Ver se os floretes estão limpos e com as pontas okay. Amanhã vou treinar e não quero ver nada fora dos conformes.

_ Vai lá...eu tenho que arranjar algumas pessoas pra irem buscar madeiras para flechas, comigo, o mais rápido possível... - suspirou Jake, pensando nessa tarefa.

Charles subiu novamente para o dormitório observando Vesgo e Mary do lado de baixo. Mas vento, flechas, floretes e inclusive poemas de amor sumiram da sua cabeça... "Charlie, Charlie... Não minta e diga que você nunca pecou. Seu pai sabe muito bem o que fizeste." "Eu sei...eu sei.", pensou o rapaz e recostou-se num canto, admirando o quanto seu amigo poderia ser indiscreto.


Declarado, dito e feito por Charles Trocken
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Saturday, March 04, 2006
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Uma lição de arco e flecha.



Jake olhou atentamente para a garota que praticava arco e flecha num alvo perto do lago.

_ Tente puxar menos a corda do arco, Diana. - sugeriu o rapaz observando a garota dar um meneio com a cabeça e acertar uma das bordas.

Jake de Malvoisin, ou simplesmente, Jake Vesgo, deu um suspiro e recostou-se no tronco da árvore sobre a qual estava sentado num galho. Era, de longe, um dos garotos mais experientes na arte do Arco e Flecha na escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, o que o tornava bastante procurado por alguns tolos inexperientes. A um ou outro, que detinha o jeito da coisa, o rapaz procurava passar os ensinamentos básicos, como era o caso de Diana DiLauren, sua atual pupila.
Uma brisa calma começou a soprar, vinda do Oeste, e o rapaz fechou os olhos por alguns instantes, pensando na sua razão de estar aí. "Daqui a duas semanas temos um torneio para competir. Essa garota tem que ser ao menos capaz de bater o Charlie, senão será um puro e completo desperdício de tempo meu."

_ Ei, Vesgo, desça aqui por um instante! - gritou uma voz vinda debaixo da árvore.

O rapaz abriu os olhos, sorriu e deu um salto de gato para o chão. Arrumou a alijava nas costas e o arco debaixo do braço, para só então encarar a figura que o chamara.

Mary Dogof apenas lançou um olhar cúmplice para ele. Era uma garota bonita, de seus aproximados 15 anos. Tinha cabelos castanhos sempre presos numa trança e o rosto branco como leite. Jake lembrava-se do escândalo que havia sido sua entrada na escola, por volta de 5 anos atrás. "Ela é filha de uma meretriz, e segue a mesma carreira da mãe!", lembrava de ouvir seu pai comentando. Como seu pai saberia que a mãe de Mary era uma meretriz, sendo um seguidor de Deus, tornava-se um mistério que o rapaz preferia não desvendar.

Mary e Jake frequentemente trocavam favores um ao outro, dos mais diversos aspectos, diga-se de passagem. Como melhores amigos, eram inseparáveis e em alguns pontos, sabia que a garota batia de longe seu outro melhor amigo, Charlie.

_ Que você quer, minha princesa? - perguntou o rapaz, com seu galanteio habitual.

_ Deixa disso, garanhão de torneio. Como vão tuas aulas para a moça corvinal? - respondeu a garota com um sorriso debochado no canto do rosto.

_ Digamos que...razoáveis.. - falou o rapaz girando os olhos e apontando para as flechas caídas na metade do caminho entre a moça e o alvo.

_ Ela é esforçada. - contrapôs Mary, dando um sorriso que faltava um dos dentes caninos.

_ Até aí, o Charles Trocken também é bastante, e ambos sabemos quais são os resultados que ele consegue com isso. - respondeu Jake, lembrando-se de uma vez que seu amigo conseguira acertar uma flecha na bunda do bardo que animava a competição.

_UHUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!! Olha só Jake, olha só!! Eu consegui, eu consegui!! - gritou em comemoração Diana para seu mestre.

O vesgo pediu licença para sua amiga e foi checar o alvo, para ver o que exatamente sua pupila havia conseguido.

_ Parabéns, Diana! Finalmente você acertou o segundo anel, muito bem! - cumprimentou ele animadamente, mas pensando no dia em que desse para ela como alvo, uma vara de salgueiro a 50 metros de distância. - Continue treinando assim, e logo mais você vencerá alguns exibidos por aí.

Diana abriu um largo sorriso, e foi recolher as flechas novas para sua alijava. Jake balançou a cabeça e voltou ao lado de Mary, que ria descaradamente.

_ Deixa a garota em paz. - pediu Jake, suplicantemente.

_ Ta bom, ta bom, rapaz...eu deixo sua menina com suas grandes flechadas. - respondeu a outra, ainda rindo. - De qualquer jeito, eu vim aqui avisar que tem uma garota procurando por você. Se não me engano, o nome dela é Rosette.

_ Ah, garotas...quais delas não vem atrás de mim? - falou Jake convencidamente. - Você saberia dizer de qual casa ela é, para eu poder ir atrás dela?

_ Creio que isto não será necessário, Jake de Malvoisin. - respondeu uma voz atrás dele. O rapaz sentiu um arrepio na alma e virou-se, apenas para dar de cara com uma garota de olhos cor de âmbar.

_ Então, a senhorita é...?

_ Rosette. Rosette Loraine Elric, para ser mais exata.

_ Bom, - começou o rapaz - srta. Rosette, se é que posso chama-la assim. Soube que estava me procurando já faz algum tempo.

_ Sim, eu estava. Correm boatos que você tem uma das melhores pontarias de toda Hogwarts. Eu vim conferir com meus próprios olhos.

Jake observou o ardor naqueles olhos âmbar, apenas por um momento fugaz.

_ Talvez você pense que é capaz de vencer o pobre Vesgo aqui, posso dizer.

_ Hm....coloquemos assim, sir.Jake.

_ Muito bem.

O rapaz foi até onde estava sua garota e cochichou-lhe algo no ouvido. Diana parou e saiu do caminho, prestando atenção em cada cena que estava prestes a se desenrolar.

Jake tirou cuidadosamente uma flecha de sua alijava, e identificou em que direção o vento soprava. Armou-a no arco, e contou até três antes de solta-la. Esta passou zunindo e cortando o ar, então se alojou no centro vermelho do alvo.

_Bullseye! - sorriu para si mesmo o rapaz, dando passagem a jovem que se aproximava da marcação, enquanto Diana aplaudia freneticamente seu mestre, com a boca semi aberta.

_ Vejamos agora, como eu me saio...- falou modestamente Rosette, dando um sorriso recatado.

A menina tinha classe. Usava um arco feminino, e Jake podia ver que as flechas dela eram ligeiramente maiores do que as suas, e também eram flechas marcadas.

A garota ajustou o arco e a flecha foi disparada. Passou também zunindo e cortando o ar, indo se alojar totalmente colada à do rapaz.

Jake bateu palmas, lentamente, e se aproximou gingando da menina.

_ Parabéns, senhorita Rosette. Certamente, você atira muito bem mesmo. Presumo que seu pai deva ter lhe dado a instrução de algum campeão de feudos ou coisa que o valha. Permita-me dizer que você tem um dom natural para a coisa. - elogiou o rapaz, encarando-a com seus vesgos olhos.

_ Muito obrigada. Reconheço que você também não atira nada mal, senhor Jake de Malvoisin,

_ Ora, por favor...me chame de Jake, ou, se preferir, de Vesgo. - falou o rapaz, dando um pouco menos de formalidade ao trato dos dois. - Posso dar uma olhada em suas flechas?

A garota estendeu um exemplar para ele.

_ Como eu pensei...são mesmo um pouco maiores que as minhas e perfeitas para tiros curtos e certeiros. Não são afetadas facilmente pelo vento, são? Mas também dificultam bastante se o alvo é móvel ou está muito longe, por serem mais pesadas. Ora, também vejo que são especiais...o brasão aqui parece ser da sua família, estou certo?

_ Sim, é da família de meu pai, Lorde Elric.

_Hmm...em suma, é uma excelente flecha. Porém - parou o rapaz, fazendo uma ressalva. - não é tão boa quanto esta daqui.

Jake sacou sua própria flecha e tão rápido e certeiro quanto um raio, lançou-a com seu arco. Alguns segundos depois, esta acertou em cheio a flecha marcada de Rosette, partindo-a ao meio.

_ Madeira nobre, daqui dos arredores da floresta, tomada com o consentimento das criaturas que nela vivem. Ponta maciça de ferro, e leve. Isso implica calcular o vento, mas também é mais útil se o alvo for móvel. Vê? Simples, e eficiente. - O moço terminou a explicação, e deu um sorriso para a garota.

_ Eu também possuo algumas como essa...são realmente boas. - falou ela.

_ Vesgo! Venha cá, preciso falar contigo! - gritou um vulto distante, que atendia pelo nome de Charles Trocken.

_ Senhorita Rosette, foi um prazer atirar algumas com você. Suponho que a veja no Torneio, daqui a duas semanas. Aguardarei ansioso sua participação. O prêmio é estipulado em 10 moedas de prata. E a quem me vencer, dou 5 moedas de ouro, junto de uma flecha marcada. Se bem que se fores competir, talvez eu retire essa pequena oferta minha. - galanteou o rapaz. - Até logo, srta!

Jake virou-se para Diana, que ainda assistia a tudo com muita atenção.

_ Moça Diana, espero que você tenha tirado algum proveito desta nossa pequena disputa. - falou ele solenemente. - Mas seja lá qual for ele, creio que você só deva aplica-lo amanhã ou vai acabar se cansando inutilmente aqui. Até logo, também...

E então, mais como moleque do que como um rapaz garboso que se portara até agora, Jake, o Vesgo, saiu correndo do lugar, agarrando Mary no caminho e indo direto ao encontro de seu amigo.

_ Com certeza, o vejo no campeonato, sr.Vesgo... - falou Rosette, e, fazendo um cumprimento para Diana, saiu também, na direção oposta.

A corvinal terminou de recolher seus apetrechos, e então foi procurar Lavínia Hougan Cadwell, que havia lhe prometido uma poção para amenizar a dor. - "E como meus braços doem, ora Deus....", pensou ela caminhando em direção ao castelo....


Declarado, dito e feito por Jake, O Vesgo
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